Os cristãos do Sudão - país predominantemente muçulmano -
continuam a sofrer intensa perseguição, com o seu governo se envolvendo em uma
destruição sistemática das igrejas, segundo alertou o 'Centro Americano para
Lei e Justiça' (ACLJ).
O grupo disse terça-feira que os seus contatos na região do
Sudão afirmaram que os funcionários do governo continuam a ordenar a destruição
de igrejas cristãs, marginalizando ainda mais a população cristã minoritária.
Pelo menos três igrejas foram destruídas em outubro, de
acordo com o ACLJ, incluindo templos da Igreja de Cristo, localizada em
Omdurman e de duas Igrejas Luteranas do Sudão, localizadas em Karari e em
Gadaref, Leste do Sudão.
"Apesar dos resultados deste relatório e os apelos de
numerosos organismos internacionais de que o governo do Sudão cessar os ataques
e demolição de igrejas cristãs, as nossas fontes no terreno no Sudão relatam
que a liberdade religiosa continua a deteriorar-se em todo o país", disse
o ACLJ.
O governo do presidente sudanês, Omar al-Bashir é conhecido
por perseguir os cristãos sob a sua interpretação estrita da lei Shariah.
Igrejas e pastores também têm sido alvo, com dois pastores presbiterianos sendo
condenados à pena de morte no início deste ano e ganhando as manchetes
internacionais.
Tut Kony, pastor da Igreja Evangélica Presbiteriana do Sudão
do Sul, disse em maio que "quase todos os pastores" têm enfrentado
perseguição sob o governo do Sudão.
"Temos sido apedrejados e espancados. Este é seu hábito
rebaixar as igrejas. Não estamos surpresos. Esta é a forma como lidam com a
Igreja", disse Kony na época.
Outros casos conhecidos incluem a prisão da sudanesa Mariam
Ibrahim, que foi inicialmente condenada à morte por se casar com um homem
cristão, mas depois de forte pressão internacional foi liberada, depois que ela
se mudou para os Estados Unidos.
Al-Bashir foi acusado de crimes de guerra pelo Tribunal
Penal Internacional, após seu envolvimento na guerra em curso, em Darfur, a
qual que levou a mais de 300 mil mortes desde 2003.
A Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional
detalhou também o elevado nível de perseguição religiosa no Sudão com o
lançamento de seu relatório de 2015.
O relatório acusou o governo do Sudão de envolvimento em
"violações sistemáticas, contínuas e flagrantes da liberdade de religião
ou crença".
"Essas violações são o resultado das políticas de
islamização e arabização do presidente Bashir", acrescentou o relatório.
Fonte: Guia-me.com.br

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