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© AP PHOTO/ HUSSEIN MALLA
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O Estado Islâmico liberou 10 reféns cristãos assírios na
noite da última terça-feira (24), na cidade de Tel Temir, província de Hasakah,
nordeste da Síria. Apesar do aparente progresso nas negociações para a
libertação destes prisioneiros, mais de 150 reféns permanecem detidos e
ameaçados de morte pelo grupo terrorista.
"Os assírios liberdos, que são moradores das cidades de
Tel Shamiram, Tel Jazeera, Qabr Shamiya e Tel Fayda, estão em boas condições de
saúde", informou um comunicado da Rede Assíria de Direitos Humanos.
"O número total de reféns libertos desde o início das
negociações atingiu 98, sendo em sua maioria, idosos e doentes", a Rede
acrescentou, observando que há cinco mulheres entre os 10 liberados mais
recentemente.
Os reféns assírios são parte de um grande grupo,
originalmente de 230 pessoas, que foram sequestradas por militantes islâmicos
nas aldeias de Khabur, em fevereiro.
O EI vem pedindo milhões de dólares em resgate pela
libertação destes reféns, porém o valor é muito alto para a comunidade assíria
local. Depois de meses de negociações, os terroristas foram liberando reféns
aos poucos.
Em outubro, 180 reféns estavam prontos para serem executados.
As negociações continuaram, no entanto, Osama Edward, diretor do ANHR, afirmou
que não é possível compartilhar mais detalhes sobre o processo, devido à
"gravidade e sensibilidade da situação."
"Houve negociações indiretas com o Estado Islâmico, a fim
de libertar todos os reféns", disse Edward.
"O conflito na Síria tem incitado os vários grupos
étnicos e religiosos a se expandirem, uns às custas dos outros. O Estado
Islâmico tem atacado os cristãos assírios com base nisto", acrescentou.
A Agência Assíria de Notícias Internacionais revelou os
nomes dos reféns libertos e também compartilhou uma linha do tempo da
libertação dos 98 reféns até agora, observando que na maioria das vezes, as
pessoas idosas é que estão sendo liberadas.
A agência disse que outros 158 assírios de Khabur permanecem
detidos e o Estado Islâmico também está mantendo mais reféns, incluindo 185
cristãos, capturados durante a invasão do grupo terrorista à cidade de
Qaryatain.
Os ataques de fevereiro no rio Khabur levaram mais de 3.000
assírios a fugirem de suas aldeias e a maioria destes ainda não voltou para
casa.
As preocupações com relação a estes reféns são crescentes,
considerando que o EI tem se mostrado pronto para agir. Em outubro os
militantes executaram três assírios capturados em outro ataque a aldeias
cristãs perto da cidade de Tel Temir.
Um sacerdote sírio que foi mantido em um cativeiro do EI com
este grupo de cristãos durante meses, foi liberado meses atrás e disse que viu
muitos dos outros reféns cristãos sendo mantidos em um dormitório no subsolo.
O padre Jacques Murad, do mosteiro de Mar Elian, disse que
os cristãos continuam se recusando a se converter ao Islã, apesar da pressão do
grupo terrorista para que o façam.
"Os cristãos foram frequentemente questionados sobre
sua fé e sobre a doutrina cristã, mas eles não se convertem ao islamismo,
apesar da grande pressão. Eles têm sido fiéis. Esta experiência fortaleceu a fé
de todos, inclusive a minha fé como um padre. É como se eu tivesse nascido de
novo", disse Murad no final de outubro, duas semanas após a sua
libertação.
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